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Produção industrial cai 10,9% em maio

Resultado em maio foi o pior desde dezembro de 2008 e coloca a indústria em patamares próximos aos registrados no final de 2003, aponta IBGE

A produção industrial caiu 10,9% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quarta-feira, 4, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi o segundo pior desempenho em toda a série histórica da Pesquisa Industrial Mensal . O recuo foi o mais acentuado desde dezembro de 2008, quando tinha registrado uma perda de 11,2%.

Com a queda, a indústria ficou em patamares próximos aos registrados no final de 2003. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a queda de 6,6% em maio foi a mais aguda desde outubro de 2016, quando a indústria encolheu 7,3%, além de ter interrompido uma sequência de 12 meses seguidos de taxas positivas. No ano, a indústria teve alta de 2,0% e em 12 meses, a produção da indústria acumulou avanço de 3,0%.

O gerente da pesquisa, André Macedo, explicou que a principal causa para esse resultado foi a paralisação dos caminhoneiros durante o mês de maio. “A greve desarticulou o processo de produção em si, seja pelo abastecimento de matéria prima, seja pela questão da logística na distribuição. A entrada do mês de maio caracterizou uma redução importante no ritmo de produção”, disse.

O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de18,00% a 4,60%, com mediana negativa de 14,00%.

Efeitos. O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, avalia que o setor deve ter apenas recuperação parcial em junho. Mas mesmo que a atividade recupere o nível de produção de abril, o resultado do segundo trimestre ainda seria negativo de 2,8%, segundo suas contas.

"A indústria não deve crescer dois dígitos em junho. Deve ter alguma perda decorrente da greve e da confiança que também foi impactada", avalia. "É muito provável que o resultado da PIM no segundo trimestre seja bastante ruim. Assim, o PIB do período pode ser negativo, mas não tem como fazer nenhuma projeção confiável. É preciso esperar os dados de junho", diz, completando que a indústria deve ter sido a atividade mais afetada pelo bloqueio nas estradas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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